Hoje é o dia internacional do voluntariado e claro que eu não podia ficar indiferente.

O voluntariado sempre fez parte da minha vida. Desde cedo que tive muita vontade de ajudar o próximo, não só em associações e instituições, mas também (e igualmente importante) em casa e na rua. Sempre sofri com os problemas alheios (talvez até de mais por vezes) e desde muito nova que sabia que queria ajudar o próximo, não apenas em Portugal, mas onde fizesse falta.

Voltando um pouco atrás no tempo, quando era mais nova, apesar de fazer algumas acções ocasionalmente, não tinha nada fixo.  Mais tarde, aos 16/17 anos, assumi um compromisso, inicialmente na União Zoófila e depois,  em 2012, candidatei-me ao GASTagus que é  uma associação muito importante na minha vida (já explico tudo). Em paralelo, fiz voluntariado na Academia João Cardiga e fui duas vezes em missão internacional para a ACRIDES, em Cabo Verde, com o GASTagus.

Ao longo dos anos fui aprendendo que ser voluntário é muito mais do que dar: é mudar vidas, a dos outros, mas principalmente, a nossa.

Ser voluntário é…

Ser voluntário é entregarmos o nosso bem mais precioso, o tempo, e recebermos amor. Incondicional.

Ser voluntário é ser sensível à necessidade do outro. É estar consciente que juntos vamos mais longe. É vermos o mundo e conectarmo-nos com a nossa alma, sem querer receber nada em troca,  sem protagonismos, sem fama.

Ser voluntário é,  no meu entender,  algo crucial no que toca ao desenvolvimento pessoal e autoconhecimento. Sem a conexão com o outro não podemos falar de desenvolvimento pessoal, bem-estar e principalmente de amor. O ser humano precisa de relações afectivas e quando sentimos o que é entregarmo-nos ao outro, livremente – sem “cordas” nem potenciais “troféus”- , aprendemos o que é ser um ser vivo. Verdadeiramente.

Através do voluntariado aprendi…

Através do voluntariado aprendi que o voluntário, ou quem vai em missão, não vai apenas dar: Quando fui em missão para Cabo Verde, pensei que íamos para ensinar, que os Cabo Verdianos precisavam de nós e sinceramente, não podia estar mais errada. Aprendi muito, aprendi a dar valor às pequenas coisas. Aprendi que devemos olhar mais para o presente. Aprendi que nada está garantido e que devemos dar valor à nossa cama, ao nosso chão, tecto e comida na mesa. Aprendi que os bens materiais não nos tornam mais felizes e apercebi-me, que pelo menos no meu meio, não sabemos nada sobre o que é viver em comunidade. É tão bonito ver a forma como esse povo sorri, está sempre em festa e se entrega. É tao humano. Tão genuíno. Tão puro.

Aprendi o verdadeiro significado de dedicação, compromisso e entrega. Quando não recebemos algo em troca como um reforço positivo monetário ou o que seja, assumirmos um compromisso diário torna-se mais difícil. É preciso foco, estabelecermos prioridades, sermos fiéis a nós mesmos e para com aqueles que estão a contar connosco.

Quando falo em voluntariado e aprendizagem, não posso deixar de falar sobre o GASTagus. Confesso que todos os anos que não me candidato me dói o coração, mas infelizmente nem sempre a vida -mas propriamente o tempo-, nos permite fazer tudo aquilo que amamos. Abordando um pouco do meu percurso nesta associação que me é tão querida: comecei no GASTagus em 2012, com a ideia de ir em missão internacional apenas, e, só mais tarde é que percebi que a verdadeira mudança não é o final da “caminhada ” , mas sim, todo o percurso – A verdadeira missão é o compromisso diário,  é a dedicação, a entrega,  a aliança,  a amizade e amor.

Para perceberes melhor o contexto, o GASTagus é uma associação que promove o voluntariado e tem como missão sensibilizar os jovens para o mundo, tornando-os cidadãos activos! Assim muito resumidamente, quando de candidatas a um grupo/pólo, esse chama-se caminhada, tendo um grupo de orientadores e voluntários que te acompanham durante o ano, na formação,  angariação de fundos, voluntariado nacional e por fim, voluntariado internacional. No meu caso, estive três anos no GASTagus, um como voluntária, outro como orientadora e o último como responsável de orientação e, confesso, que aprendi muito nos três. Posso dizer, com toda a certeza, que esta associação e todas as pessoas que fizeram parte desta comigo – que guardo com muito carinho no meu coração- , ajudaram a moldar o que sou hoje, o que transmito e o que acredito.

Como tal, não é por acaso que falo constantemente no voluntariado e na importância de nos conectarmos com o outro de forma pura. Com a nossa alma e coração.

E sabes qual foi a maior aprendizagem? A importância da conexão com o outro, seja em regime de voluntariado, ou não. Querermos o bem do outro. Cultivarmos relações positivas e o verdadeiro significado de entrega e amor.

Com o voluntariado eu não mudei o mundo, mas sem dúvida que o meu mundo foi mudado.

“The best way to find yourself is to lose yourself in the service of others.” — Mahatma Gandhi