Antes de mais, quero agradecer todo o apoio que recebi para este desafio nesta última semana, vocês são mesmo qualquer coisa. Obrigada.

Nunca gostei de correr, de cardio no geral na verdade. Gosto de ir treinar, faço-o (ou tento) todas as semanas,  mas prefiro musculação ou electroestimulacão (Personal 20 Restelo). Defendo que o importante é sermos activos mas praticarmos algo de que gostamos. Cuidar do nosso corpo não tem de ser um sacrifício e acredito que devemos cuidar dele por amor e não com o objectivo de ter um corpo sem um pingo de gordura (a não ser que seja um objectivo para ti obviamente).

Nem sempre gostei de treinar, era até – por vezes ainda sou- muito preguiçosa.

De modalidades, equitação (obstáculos),  surf e natação sempre foram os meus preferidos. Aos 13 era na natação que encontrava o meu refúgio, chegava mesmo a treinar às 6 da manhã.  Depois passou para o surf aos 15/16 e aos 18 dediquei-me à seria à equitação (já praticava desde os 10 mas nunca a sério). Cheguei a competir algumas vezes  e tinha um enorme amor pelo “meu” cavalo. A vida dá voltas, as coisas nem sempre correm bem e apesar de ter tido um desgosto grande – que me obrigou a parar uns tempos -, depois com a faculdade e o facto de ter ido morar sozinha, infelizmente deixei de ter possibilidade para praticar semanalmente, até porque é um desporto que existe algum esforço financeiro.

De qualquer forma, não gostava de exercitar o corpo só porque sim. Tal como já partilhei contigo, sempre tive excesso de peso e MUITA tendência para engordar. Porém, chegou a uma altura em que estava bastante gordinha e comecei a ter em atenção a minha alimentação e a prática de actividade física, para cuidar melhor do meu corpo. Há cerca de cinco anos é que comecei a ir ao ginásio com a minha amiga Sara, depois dediquei-me ao crossfit- que adorava -, mas com muita pena minha, fiquei lesionada e tive de parar.

Depois ganhei gosto pela musculação e de me sentir mais forte e activa, mas correr….ui… correr é, e sempre foi, o meu calcanhar de Aquiles.

Hoje em dia, pratico yoga claro, – apesar de ser algo mais para a minha mente e conexão interior- , e gosto de ir ao ginásio (Malo Clinic Sports) e à Personal 20 Restelo, para ficar mais forte e activa.

No final de contas, cardio não é comigo. Fico ansiosa, canso-me MUITO rápido,  a minha resistência é nula e é um verdadeiro sacrifício. Contudo,  é também a única coisa que falta para complementar a minha prática de exercício físico, pois, é muito importante exercitarmos o nosso coração e sermos mais resistentes.

Sempre me questionei porque é que há tanta gente que adora correr. Vejo por exemplo o caso da Isabel Silva e só penso: ” quem me dera ter esta energia e motivação”.

Também sei, não estivesse eu em Psicologia, que isto de correr é mais um bloqueio do que falta de força. Sempre meti na cabeça que nunca ia conseguir, que correr não era comigo e que mais valia desistir à priori.

Mas para quem me conhece sabe que desistir não é comigo.

Em Setembro, até porque deixei de ter dores do meu joelho já faz uns meses, decidi abraçar este desafio. Confesso que tive um grande empurrão, porque recebi um presente muito especial que me tem motivado bastante: Fitbit Ionic (eles têm vários modelos com diferentes preços).

Verdade seja dita, termos um smartwatch ou um relógio polar é uma motivação extra, pois mostra o quanto estamos a evoluir, número de km feitos,  calorias, e uma pessoa deixa de correr só porque sim e passa a ter objectivos concretos. O que é muito importante.

O meu desafio era correr durante uma semana certinha e ver se conseguia evoluir e se gostava da sensação. Se gostasse era para continuar, se não gostasse,  então também já tinha experimentado e não ia desistir sem nunca ter tentado pelo menos uns dias.

Foi muito difícil, não posso dizer que não foi. Mas cada dia que passava estava mais motivada e ia aumentando o meu objectivo para a corrida diária.

Domingo

Tudo começou no domingo e esta sim foi uma verdadeira “tortura chinesa”. A minha mente era invadida por pensamentos negativos, o meu coração batia demasiado rápido e nem o primeiro km consegui fazer sempre a correr (como era de esperar). Contudo, o Pedro (que para além de nutricionista também tirou a licenciatura em desporto) motivou-me, disse que era natural e que daqui a uma semana “falávamos”.

Segunda-feira

Na segunda feira o primeiro km até correu bastante bem mas o meu coração estava “on fire”. Cheguei aos 202 batimentos de máxima e isso é muito.

Aqui fui alterando entre corrida e andar rápido mas ainda não estava a sentir o que é que era correr sem parar, nem estava a adorar a sensação de que ia cair para o lado de cansaço a qualquer segundo.

Terça-feira

Na terça estava com muitas dores nas pernas.  Desta vez fui correr não só com o Pedro mas também com o seu irmão, o João.  Claro que eles iam bem mais à frente mas o objectivo para este dia era tentar fazer um treino mais comprido, nem que seja a andar mais.

Aqui foi quando pela primeira vez senti um bom “friozinho na barriga” e sensação de missão cumprida por ter conseguido correr sem parar durante 1km. Porém, depois disso tive de andar algumas vezes, porque estava mesmo muito cansada. No final de contas acabei por fazer quase 4km e fiquei muito feliz.

Quarta-feira

Este foi o dia de repouso.  Estava muito cansada e tal como o Pedro diz : ” descansar também é uma parte essencial do treino”. Não estava nos meus planos iniciais descansar um dos dias mas… até foi pelo melhor.

Quinta-feira

O primeiro dia em em que efectivamente gostei de correr! Quebrei um bloqueio que tinha desde sempre e pela primeira vez, corri 20.minutos, quase 3km, sem parar uma única vez (omg!). A sensação no final é indescritível e fiquei mesmo muito feliz e realizada.

A minha maior dica? Meditação. Enquanto corria, apenas me focava no som da respiração.

Quando tinha um pensamento menos bom, ignorava e voltava a focar-me na respiração. Quando dei por mim, já tinha passado mais de 2km e eu nem queria acreditar.

É preciso alguma disciplina para ignoramos a nossa mente confesso, mas basta querermos verdadeiramente.

Sexta-feira

Como era de esperar, nem sempre é a subir e o corpo por vezes “dá de si”. Neste dia estava extremamente cansada e com muitas dores.

Não consegui correr mais do que 1km seguido e cheguei inclusivamente a ficar bastante frustrada. Por mais que me tentasse focar na minha respiração o corpo estava com falta de energia e as minhas pernas não obedeciam. Estava na altura de ouvir o meu corpo e decidi não puxar por ele.

Verdade seja dita, sexta-feira foi um dia stressante para mim, com muito trabalho e prazos para cumprir. Não comi muito durante o dia e todas estas variáveis afectam inevitavelmente.

O que eu aprendi? Quando não dá,  não dá e  é crucial ouvirmos o nosso corpo.

Sábado

Última corrida da semana.Neste dia meti na cabeça que ia conseguir superar, custasse o que custasse.

O som da minha respiração era como música para os meus ouvidos e raramente olhava para o relógio para não pensar “ainda falta tanto”. Mesmo quando o Pedro falava comigo, estava tão concentrada em mim e na minha respiração que nem respondia.

A meditação é mesmo incrível e aprendermos a acalmar a nossa mente, é uma ferramenta muito poderosa em qualquer área da nossa vida. Na corrida, foi apenas mais um exemplo.

No final, bati o meu record e não podia ter ficado mais feliz e realizada. A sensação no final foi maravilhosa.

Outra boa notícia? Os meus batimentos cardíacos pareciam outros, as minhas pernas não doeram tanto e o meu joelho esteve sempre impecável.

No final posso dizer que gostei muito da experiência e nunca pensei que corresse tão bem. Agora de volta a Lisboa, como vou voltar à minha rotina, aos meus treinos e yoga. Provavelmente vou ter de adaptar os meus objectivos e correr todos os dias não está nos meus planos.

Pus na minha cabeça que irei correr entre 2/3x por semana. Ficas a torcer por mim?

Moral da história: Antes de dizeres que não consegues… tenta.

Queres fazer o mesmo desafio? Partilha comigo com o #desafioterramaya.

Bons treinos,

Filipa