Hoje em dia recebo muitas perguntas sobre meditação: O que é? Como meditar? Por onde começar? Será que estou a meditar da melhor forma? Não consigo meditar, podes ajudar?

A verdade é que com esta nova “moda”, com tanta informação sobre os benefícios da meditação, com o aumento da importância que se dá a esta prática- e ainda bem -, muitas são as dúvidas que se colocam e principalmente, parece-me que se está a complicar uma coisa,  que na verdade é dotada de uma tremenda simplicidade.

Sendo mais específica,  a meditação é uma prática bastante simples e consiste em pararmos a nossa vida frenética, estarmos presentes, focarmos a nossa atenção e conectarmo-nos connosco, sem julgamentos. É apenas isto e podemos meditar em qualquer lado sem necessitarmos propriamente de nada em específico. Claro que depois existem diferentes tipos de meditação, diferentes formas de praticar e cada pessoa pode fazê-lo como melhor se identifica – através de mantras, yoga, respiração etc.

É engraçado que eu sinto que quando falo da meditação desta forma, sei que muitas pessoas sentem que não pode ser assim. Como é que algo tão simples, tem tantos benefícios e pode inclusivamente mudar a nossa vida?

Na verdade pode não ser simples pela única razão de que parar é realmente muito complicado.

Quantas vezes estamos a passear, na praia,  a ler um livro, a ouvir música, mas a nossa mente está noutro local? E atenção, contra mim falo,  porque tenho uma grande dificuldade em não pensar no que tenho para fazer, em projectos futuros e naquilo que posso melhorar. Apesar disso, noto que quando faço um esforço para parar e para aproveitar o momento presente, reparo numa beleza e sensações que me “passam ao lado” constantemente, sendo uma prática que tento implementar diariamente, pela forma como influenciou positivamente a minha vida. Como sabes, porque já partilhei diversas vezes, era uma pessoa extremamente stressada, ansiosa e o stress em excesso (considerado “mau” stress) teve vários impactos negativos na minha vida. Tive de parar. Tive de mudar o rumo da minha vida e a meditação foi um grande segredo para essa mudança.

Para mim, o local onde gosto mais de meditar é no banho. É um momento meu, onde me foco em mim, na água a correr pelo meu corpo, nos cheiros e na minha respiração.  Não acreditam quando digo que saio do banho revitalizada, que não podia ser uma maior verdade, e não é pela actividade em si,  mas pelo momento de conexão que pratico diariamente. Também adoro meditar de manhã, com cristais junto de mim.

Decidi colocar no título deste post “Não consigo meditar, e agora?” porque gostava de tentar desmistificar um pouco este conceito e que quem leia este post veja a meditação com outros olhos, porque sinceramente, toda a gente consegue meditar,  basta querer.

Todas as pessoas podem meditar?

No livro que estou a ler – ” Para onde quer que vás, aí estarás” de Zon Kabat-Zinn- o autor responde a esta pergunta de uma forma bastante interessante: Todas as pessoas conseguem respirar?

Sendo que refere que “pensar que se é incapaz de meditar é um pouco como pensar que se é incapaz de respirar, de se concentrar ou descontrair” e eu não podia concordar mais. A meditação nao é algo “altamente especial e inalcançável”. Não precisamos necessariamente de tapetes e de posições específicas para o fazermos, como por exemplo na meditação activa ou na meditação mindfulness, apesar de como a minha amiga e professora de Ioga , Sofia Mano, fala: uma posição em que a respiração nao esteja comprometida é essencial.

Resumidamente, só precisamos de nós e de estar presente no aqui e no agora, o que não é sinónimo de esvaziarmos a nossa mente, mas sim, apercebermo-nos sem julgamento e com uma grande aceitação,  daquilo que nela se passa.

Como começar a meditar?

No meu caso foi assim que comecei e esta é apenas uma sugestão de como podes implementar esta prática no teu dia-a-dia. Assume uma posição confortável, toma consciência de ti e da tua respiração. Repara no ar que enche os teus pulmões e da forma como ele sai. Respira conscientemente dez vezes, vinte vezes, as vezes que te sentires confortável.

Não tenhas expectativas, não penses que vais conseguir estar presente logo à primeira e não te foques nos benefícios que com ela podes alcançar, mas sim no momento presente e consequentemente, naquilo que estás a sentir, sem julgares os teus pensamentos e sensações. Principalmente não esperar que meditar é sinónimo de “não pensar”, que é algo que falando por mim, me intrigava bastante de início: como é que conseguimos não pensar em nada?

Uma coisa é pensar, outra coisa é dar continuidade a esse pensamento e perder o foco do “aqui e agora”.

Também é essencial percebermos que meditar não cura, e estou sempre a referir isto porque recebo muitas questões sobre como tratar a depressão, ataques de pânico e outras perturbações através da meditação – devo fazer a ressalva de que é recomendado, por vezes, um acompanhamento com um especialista na área como um psicologo ou/e psiquiatra por exemplo.

Contudo, é um facto que a meditação pode efectivamente ajudar mas se é utilizada como meio para “curar seja o que for”, o nosso pensamento vai estar concentrado no futuro e não no momento presente, e isso, não é meditar.

Como posso implementar essa prática diariamente?

Antes de mais, é preciso termos tempo e tornarmos a meditação numa prioridade do nosso dia. Reservarmos um momento para nós,  seja de manhã, nos transportes, no trabalho sentados à secretária ou antes de dormir. Inclusivamente, aconselho mesmo em escrevermos na nossa agenda para que seja um compromisso.

Começa por um minuto por dia e aumenta gradualmente, sempre de uma forma que te sintas confortável.

Leva também esta prática ao logo do teu dia. Quando notares que estás mais stressada/o, ansiosa/o, longe, lembra-te disso e simplesmente respira, conscientemente.

Afinal, é assim tão complicado respirar?

Com amor,

Filipa