Ontem, foi um dia muito especial, o dia do lançamento oficial do meu primeiro livro. Nunca pensei dizer isto… nunca, até há um ano atrás.

Ainda não tinha falado aqui deste projecto no blogue, porque confesso que a minha vida tem andado um caos e tenho tido muito pouco tempo – para não dizer nenhum – para me dedicar a este projecto online que tanto prazer me dá. Adoro escrever, amo o blogue, e foi por aqui que toda esta aventura começou.

Quando decidi criar o blogue, foi uma decisão repentina, apesar de ser algo que já tinha pensado antes. Mas numa manhã acordei, e toda a ideia, aquilo que queria transmitir fez sentido. Liguei ao Pedro e à Carolina (uma grande amiga) e disse: «Vou criar um blog. Hoje jantamos para me ajudarem?». Sou uma pessoa de ideias fixas e muito persistente e quando coloco uma ideia na cabeça gosto de a realizar rapidamente, sempre fui assim, desde pequena. Posso dizer que todo o brainstorming foi desastroso e que «Praia da Pipa» era o nome mais votado naquela mesa – eu abstive-me, claro. Depois de muito pensarmos, decidimos dar como terminado, mas com nenhum nome que eu sentisse «é este». Fomos ver um filme e, para variar, eles adormeceram, e eu aproveitei para tentar perceber o que estava dentro de mim e como podia encontrar o nome perfeito.

Quando pensei nesta ideia e a transportei para um espaço físico, lembrei-me de um sitio no meio da Natureza, um sitio muito parecido com um local onde dormi em Bali. Senti o cheiro da erva molhada, a incenso e óleo de erva príncipe.  O som do vento nas árvores e dos pássaros. Senti o bater das asas das borboletas, a terra molhada por baixo dos meus pés e imaginei-os, a enraizarem, naquele local maravilhoso. Percebi imediatamente que o meu nome tinha de remeter para a Terra, à nossa mãe Terra, a mais pura das energias.

Para criar um blogue com um domínio associado, isso implica que o mesmo não exista, o que torna esta tarefa muito mais complicada. Não podia ser um nome qualquer, mas o mesmo não podia existir. Pensei em «Mãe Terra», «Terra Mãe», mas já tudo existia. Comecei então por procurar sinónimos de «mãe» e encontrei a palavra «Maya». Foi aí que senti borboletas no estômago, um arrepio e percebi que era aquele. Terra Maya era o nome perfeito.

Mais tarde vim a saber que, tal como digo, tudo acontece por uma razão e o nome «Maya» não é tão simples quanto parece e fez-me sentir que de alguma forma eu já o conhecia, de alguma forma era suposto encontrar este nome.

Maya está muito relacionado com a cultura indiana, uma cultura que me fascina  bastante e eu costumo brincar – não brincando -, que fui indiana noutra vida. Maya significa «ilusão», a mesma que constitui a Natureza do Universo. Está relacionada com uma força maior, um universo e, segundo algumas lendas, com a necessidade que existe de nos descobrirmos. Posso dizer que fiquei bastante emocionada quando soube deste significado, porque é exactamente este o meu propósito com este blogue e posteriormente o livro: Partilhar a importância de nos conectarmos connosco, com os outros e com o Universo.

Mais tarde veio a proposta para escrever o livro, proposta essa que não aceitei imediatamente. Tive muito medo e o medo congela-nos. Na minha mente só me questionava: «mas quem sou eu para escrever um livro?» Depois de muita força do meu namorado, dos meus pais e amigos, enfrentei os meus medos. Algo que faço sempre. Isto porque o medo impede-nos de evoluir, porque nos congela. Faz-nos duvidar de nós mesmos, mostra-nos caminhos mais fáceis, mas  o que posso dizer é que são os caminhos que nos assustam que nos retiram da nossa zona de conforto e nos conduzem ao sucesso.

Escrevi este livro no verão passado, um livro que foi escrito durante as minhas férias por sítios maravilhosos cá em Portugal. Foi escrito em alto mar, junto dos golfinhos (é mesmo verdade!), no Gerês, um dos meus locais preferidos e nas praias lindíssimas do Algarve. Conectei-me com a Natureza ao mais alto nível e dei tudo de mim neste livro, desenhei para a capa, pensei em cada pormenor. Abri o meu coração e escrevi, como se estivesse a falar comigo mesma.

Depois de o escrever, iniciou-se todo o processo criativo. Para isso, pude contar com a ajuda da minha amiga e designer Beatriz Louro Martins e lembro-me que lhe disse: «Tu conheces-me há mais de 10 anos. Tenta transmitir tudo o que sentes quando pensas em mim no design deste livro». Desde as cores ao tipo de letra e capa, posso dizer que a Beatriz o conseguiu na perfeição e eu não podia estar mais orgulhosa dela. Mais tarde, conheci o trabalho da Rita Parente e do André Nogueira (blog Cocoon Cooks) e percebi que era com eles que queria trabalhar. Quando falámos, eu disse-lhes que antes de mais queria que lessem o livro, queria que percebessem o que quero transmitir, e algumas coisas que eu não queria eram as fotografias típicas de livro, aparecer na capa ou poses forçadas. Para mim, as fotografias tinham de ser naturais, de captar detalhes e de transmitir esta conexão que tanto falo. O local onde fotografamos era incrível, a Cedeira Village (lê mais AQUI) e, mais uma vez, quero agradecer à Cerdeira por todo o apoio, que foi essencial para que este livro ficasse exactamente como imaginei.

 

 

O livro demorou a sair, foi uma grande aventura, com muitos passos para a frente e para trás. Posso confessar que não foi nada fácil e foi um processo complicado porque nem sempre as coisas correm bem. O que posso adiantar é que, no fim,  tudo ficou exactamente como imaginei. O  Terra Maya está no mundo, o feedback tem sido incrível, tenho tido um apoio indescritível e eu não podia estar mais orgulhosa e realizada com este projecto, que não é apenas meu, mas de todas as pessoas que o tornaram possível.

Este livro explora a minha verdade, aquilo que resultou comigo porque nem sempre tive este estilo de vida, nem sempre cuidei de mim, focava-me mais nos bens materiais, não tinha cuidado com a alimentação, não fazia exercício físico, era incapaz de me ver sem maquilhagem, não me aceitava como era, nem sequer me ouvia. Valorizava mais a opinião dos outros, em detrimento dos meus sentimentos, e não controlava muito bem as minhas emoções e os meus sentimentos.  A mudança não foi drástica, mas sim gradual e é essa mesma que te falo no Terra Maya, onde te apresento um testemunho fundamentado daquilo que considero importante no que toca a um maior bem-estar e felicidade.  Para além disso, conta também com 23 receitas fáceis, saudáveis e deliciosas para toda a família.

Ontem, foi o lançamento e eu confesso que não estava à espera que fosse tanta gente. Fiquei muito nervosa, e obrigada à minha editora e às minhas manas do coração, a Sofia Arruda e a Madalena Brandão, por apresentarem o meu  livro e por falarem de mim da forma como falaram, que me deixou muito emotiva. Muito obrigada a todos os presentes, muito obrigada por todo o amor que se sentiu naquela sala; não tenho palavras para agradecer a cada pessoa que se deslocou para me apoiar neste dia tão importante da minha vida.

 

Novamente, um especial obrigada a toda a equipa que trabalhou, que se dedicou e que tornou este livro possível: à minha Editora «Zero a Oito», à minha grande amiga e designer Beatriz, à Rita e ao André pelo trabalho de fotografia incrível e ao Roberto e à  Ana por todo o apoio.

Também quero agradecer, à Dra Ana Bispo Ramires, Psicóloga Clínica e do Desporto, Dra Inês Morais, Nutricionista, e à minha professora de Ioga, Isa Guitana, pela leitura e opinião sobre os conteúdos, nas respectivas áreas, que eu tanto prezo. Em especial, quero agradecer ao meu namorado e nutricionista, Pedro Gameiro, pela ajuda na pesquisa e escrita de todos os assuntos ligados à nutrição, presentes neste livro.

Não podia deixar de mencionar novamente a importância da Cerdeira Village neste livro, sem dúvida que o seu espaço maravilhoso lhe proporcionou uma beleza e energia muito própria, estando em sintonia com tudo aquilo que pretendi transmitir, sendo que não o consigo imaginar noutro lugar. Muito obrigada também pela disponibilidade e apoio indescritível, de todos os que lá trabalham.

Também quero agradecer carinhosamente, a todas as parcerias que ajudaram na concretização das fotografias e receitas: À Quinta do Arneiro e Maria Granel pelos alimentos biológicos; à Barru Pottery pelas loiças inacreditáveis feitas manualmente; à Fair Bazaar – à Joana Cunha, Patrícia Imbarus e Júlia Ishac – pelo apoio, pela disponibilização das roupas sustentáveis, muito bonitas e escolha dos outfits; e à Samadhi, pelo tapete e conjuntos de Ioga lindos.

E claro, ao Pedro, à minha família, amigos e a todos os meus leitores, que acompanham o meu trabalho e que todos os dias me inspiram e enchem de mimo. Tenho recebido mensagens incríveis, que me comovem diariamente e enchem o meu coração. Sem dúvida que este livro foi feito com muito carinho, a pensar em todos vocês, que sem saberem, contribuem para a evolução deste projecto feito com tanto amor, o Terra Maya.