Antes de mais, gostava que imaginasses uma vida sem a probabilidade de falhanço. Em que qualquer decisão que tomes, tem uma consequência certa e está destinada ao sucesso. Uma vida em que a palavra «erro» não existe e «falhar» muito menos. Não existem dificuldades, porque a vida é fácil e tudo corre bem, sempre. O que sentes?

Quando me propus a falar sobre este tema, no Instagram, confesso que tinha a ideia de que a votação nas receitas ia ser praticamente unânime (para quem não acompanhou, fiz uma sondagem a perguntar se preferiam que falasse sobre o lado bom do falhanço ou se partilhasse uma receita). Fiquei agradavelmente surpreendida, até porque confesso que os posts que gosto mais de escrever, são aqueles que consigo falar de temas relacionados com a minha área de estudos, a Psicologia.

Quando pensamos em fracasso, claro que sabemos que lhe estão associadas palavras como «falhar», « não conseguir», «medo», entre muitas outras. Palavras essas que nos assustam e que não queremos enfrentar, quando estamos perante uma situação. Mas também é verdade que o  medo é algo que nos impede de evoluir. Temos medo do fracasso, temos medo de não cumprir com os nossos objectivos,  de não corresponder às expectativas, nossas e dos outros. Temos uma tendência natural para ver os erros como um verdadeiro problema, que só acarreta aspectos negativos à nossa vida.  Mas, será mesmo assim?

Se virmos sob outra perspectiva, se o falhanço não existisse – voltando ao início deste post – era tudo demasiado fácil. Sem a sua hipotética presença, não havia risco, e a meu ver, traria mais consequências negativas do que benefícios.

Neste post, destaco três aspectos que considero importantes, quando falamos do lado positivo do falhanço.

1- Desafia-nos constantemente.

Sem a hipotética presença do falhanço, não existe risco, e sem ele, não existem os desafios que tanto nos preenchem.

Mesmo quando falhamos e não conseguimos atingir o nosso desafio com sucesso, temos  de admitir que enfrentar uma situação arriscada, acaba por ser recompensador. Só o facto de lutar por algo, torna-nos mais persistentes, e é um sinal de coragem, porque superamos diversos medos, o que também nos alimenta o ego.

2- Contribui para a nossa aprendizagem.

Todos sabemos que depois de um falhanço,por norma, vem uma aprendizagem. Tal como é comum ouvirmos os nossos pais e avós dizerem «deixa-o cair, para aprender a levantar».

Percebermos o que é que não funciona, o que não devemos fazer e como é que determinada situação não deve ser gerida, por exemplo, é extremamente importante, e essa aprendizagem do que «não funciona» apenas se consegue com o falhanço, seja ele qual for!

3-Cria novas oportunidades

Não é segredo nenhum – e já todos ouvimos dizer – que «a magia acontece, fora da tua zona de conforto». Quando nos desafiamos, superamos os nossos medos, quando arriscamos, saímos da nossa zona de conforto e com novas abordagens, com novas formas de pensar e novos caminhos, vêm novas oportunidades que nos podem conduzir por lugares outrora inimagináveis. Se não existisse falhanço, não existia risco e sem este, nunca poderiamos sair da nossa zona de conforto.

Por vezes, falhamos, sim. Por vezes ficamos tristes, chateados, magoados quando o mesmo acontece. Por vezes parece que a vida é injusta e que tudo nos corre mal. Nem sempre conseguimos controlar todas as variáveis que nos envolvem e por mais aprendizagens que tenhamos feito, nem sempre é sucesso garantido. Mas vivermos sem falhanços era demasiado fácil, demasiado controlável e, na minha opinião, sem a verdadeira essência da vida: o efeito surpresa.

Por isso é que digo, o falhanço existe, e ainda bem.

 

«O fracasso costuma fazer as pessoas pensar. Desperta-nos para quem somos realmente e para o que verdadeiramente queremos, e acaba com a autocomplacência.»

Robin Sharma, O Santo, o Surfista e a Executiva

 

Espero que gostes,

Filipa