Considero que vivemos numa sociedade de mudança, uma sociedade que se encontra mais preocupada consigo e com o outro, uma sociedade que se questiona e que está sensibilizada para uma versão mais saudável de si.

Também eu fui alvo dessa sociedade e na verdade, nem sempre segui um estilo de vida saudável. Vivia demasiado no mundo físico, o meu foco eram os bens-materiais, o corpo físico era mais importante que o espiritual e a alimentação saudável, actividade física, meditação e energias não faziam parte do meu “menu”.

Fazendo uma retrospecção de tudo aquilo que me fez chegar onde estou hoje, considero que a minha mudança não foi drástica mas sim gradual e de uma forma bastante natural, fui absorvendo cada alteração do meu estilo de vida. Foi como se não me estivesse a aperceber que estava a construir uma base que me proporcionava o meu maior bem-estar possível.

Confesso que tudo começou quando percebi que o meu metabolismo não me permitia comer algumas “porcarias” convencionais e que tinha de procurar uma alimentação mais saudável, de modo a atingir o peso que queria. Uma viagem que não foi nada fácil, entre mil dietas, muitas restrições e muitas ansiedades. Assim, depois de muitos stresses, percebi que o caminho certo não podia ser aquele e  decidi ouvir o meu corpo. Cheguei à conclusão que ao invés de viver em função das calorias, precisava de seguir uma  alimentação focada nos benefícios dos alimentos, na sua qualidade e não propriamente nas suas calorias. Quando fiz esta mudança de paradigma e comecei a comer com o objetivo de alimentar o meu corpo da melhor forma possível o resto veio por arrasto. Cuidar do meu corpo, praticar actividade física com o objetivo de ter força e saúde, ter em atenção o que coloco na minha pele e a origem dos alimentos, passou a ser uma prioridade, até se tornar uma constante na minha vida.

Paralelamente, sempre fui uma pessoa muito stressada, ansiosa e dificilmente me conseguia controlar, nem sabia como o fazer. Após ter concluído a licenciatura em Ciências da Saúde e o primeiro ano de Medicina Dentária, decidi seguir o meu coração, a Psicologia.  No meu novo curso percebi a importância da mente e o impacto que esta tem sob o nosso corpo.  Comecei a perceber que nós somos capazes de evitar o stress em excesso, que conseguimos influenciar a nossa própria autoestima e que o grande segredo, para mim, está na mudança de perspetiva: a vida é o que tu quiseres ver! 

Depois de me sentir mais equilibrada, primeiro com o meu corpo e depois com a mente, comecei a explorar a minha espiritualidade.

Quando falo de uma relação espiritual não falo de uma religião. Eu tenho a minha e sou apologista que não existem religiões melhores que outras, desde que pratiquemos o bem e que o nosso objetivo major seja viver em harmonia connosco e com os outros. Falo sim de conexão. A conexão humana, connosco, com os nossos amigos, familiares e desconhecidos. A conexão com todos os seres. A conexão com o mundo.

Confesso que a meditação, o voluntariado, ouvir a minha intuição, explorar as energias e agora mais recentemente o yoga, foram verdadeiros impulsionadores desta conexão. Com isto quero dizer que a minha vida passou a ter outro sentido quando a minha prioridade deixou de ser o mundo fisico mas sim a dualidade espiritual/física. Foi uma união da minha mente, com o meu corpo e com a minha alma. Sentir mais, pensar menos e descobrir uma beleza em tudo o que fazemos.

Acredito que a nossa verdadeira mudança começa nas pequenas coisas, numa perspetiva diferente e mais positiva, numa autocompaixão e aceitação, numa conexão positiva connosco, com os outros, com o Universo e que a mudança está em nós e naquilo que nos faz mais feliz.

 

“Não existe progresso na direção da liberdade suprema sem transformação, e esse é o ponto fundamental na vida das pessoas.”

B.K.S Iyengar

 

Filipa